Rap – Antônio Rodrigues e MV Bill

O violinista carioca Antônio Rodrigues é companheiro de palco de MV Bill. A dupla busca novas sonoridades para o rap nacional, com o auxílio luxuoso de cordas, do DJ e da picape.
Elegantes salas de concerto e barulhentos shows de rap não são universos paralelos. Pelo menos para o carioca Antônio Rodrigues, de 30 anos, conhecido como o primeiro violinista do hip-hop brasileiro. Parceiro de palco do rapper MV Bill, ele já se apresentou em vários recitais da Orquestra Sinfônica Brasileira regidos pelo maestro Kurt Mazur, tocou clássicos em quarteto de cordas, estuda música desde os 9 anos. Tem mãe professora de piano, cantou em coral infantil de Niterói e quase concluiu o curso de violino na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Uni-Rio).

Desde 2002, Antônio se apresenta com MV Bill. A agenda é cheia, não dá mais tempo para participar dos recitais como antigamente, nem para ensinar música. O violinista adora Mozart e as peças de Mendelsohn, mas também cresceu ouvindo Michael Jackson e era fã do Guns’n’Roses, no fim da adolescência. Tão fã que a mãe reclamava da barulheira no quarto do rapazinho, morta de vergonha dos vizinhos de prédio, no Centro do Rio de Janeiro.

Antônio Rodrigues é o típico músico brasileiro: fez recitais, tocou em casamento, ensinou violino a crianças e jovens, participou de projetos sociais que incentivam a cultura. Sempre sonhou em viver da profissão. E está conseguindo – ultimamente, graças ao hip-hop. Ele quase pula da cadeira ao ser provocado pela repórter:

– Cá para nós, rap é música?

– Claro que é. A expressão artística pelo som é música. A rima já sugere a rítmica.

Muita gente põe em dúvida a qualidade estética desse canto falado, porta-voz globalizado dos jovens excluídos. Com suas raízes africanas, o rap fez a cabeça dos negros americanos e conquistou o mundo. Antônio Rodrigues não vê tanto apartheid assim entre a cena hip hop e o mundo erudito. Para ele, é tudo música. E garante: cordas, rimas, beat box e picapes se entendem.

Mas vai logo avisando: o violino não entra no rap de MV Bill “apenas para a gente dizer que ele está lá”. Muito pelo contrário: só depois de muito ensaio e experimentação, ele e o rapper chegam à versão final dos arranjos. “Violino dialoga, sim, com a base. Pode se somar aos efeitos eletrônicos”, afirma Antônio, antes de advertir: “Isso não vale para tudo, não funciona no show inteiro”.

No próximo disco de MV Bill, Caos e efeito, o violino vai bombar. O rapper planeja faixas com destaque para as cordas, acha que elas marcam bem os versos, fala até em trocar o DJ pelo violinista em algumas delas. A parceria dos dois começou há sete anos, quando o instrumentista ficou sabendo por colegas que Bill estava interessado em alguém com seu perfil. Procurou os produtores do músico, acabou convidado a integrar a trupe.

Ao vivo O primeiro show ocorreu em 2002, no Hutúz, engajado evento do hip-hop brasileiro. Posteriormente, composições que o rapper já havia gravado foram ganhando levadas de violino em apresentações ao vivo. Antônio e Bill também têm experimentado a dobradinha violino-cajón, sem picape, e, recentemente, gravaram um programa para canal a cabo com Caetano Veloso. Usaram violino, cajón e sax. Explorar a maleabilidade do rap, insiste Rodrigues, é coisa bem diferente de modismo: “Não tem receita de bolo, não. é preciso pesquisar muito”.

MV Bill não esconde o orgulho de ter um violinista full time em sua equipe e diz que está “caindo de cabeça”, explorando ao máximo a sonoridade das cordas. Aliás, elas já marcavam presença na base de Só Deus pode me julgar, rap gravado em 2002 em seu disco Declaração de guerra. “Antônio Rodrigues já está musicalmente engajado no meu projeto artístico”, afirma ele.

Se Marcelo D2 irritou meia MPB e boa parte dos “manos” ao juntar rap com samba, Antônio pregou um susto nos colegas eruditos. Sentiu o preconceito rondar – não nas palavras, mas no olhar atravessado. Ele não faz drama, diz que muitos de seus amigos tocam MPB, forró e xaxado. Hoje em dia, as pessoas compreendem melhor o caminho que escolheu. Inclusive a mãe dele, dona Silma, professora de piano.

fonte: Estado de Minas

4 comentários sobre “Rap – Antônio Rodrigues e MV Bill

    • Acessei o myspace “violinopercussivo” e devo dizer que fiquei impressionado com o trabalho. Eu já me envolvi em projetos semelhantes. É algo inspirador!

      Parabéns a vocês e a todos que se empenham em incentivar a cultura em nosso país.

      Será um prazer estabelecer contato

      • Legal Israel,
        O Violino Percussivo convida a todos que queiram colaborar.
        Seja pela net ou “ao vivo”, é um prazer receber a inspiracão da comunidade violinística vermelha, azul, verde, amarela!!!!
        Ação

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