Guia do Estudo Saudável – Parte 2

Adaptação do local de trabalho/estudo e seu mobiliário

      Os locais onde o músico pratica (ou se apresenta) influenciam todos os aspectos de sua performance. São necessários  recursos  físicos que garantam a qualidade de seu desempenho musical, seu conforto, e principalmente, não lhe cause danos físicos. 
      Uma  procura  por mobiliário  voltado  à  realidade  dos músicos  tem-se  acentuado  nas últimas  décadas,  com  uma  sensível  ampliação  de  pesquisas  e  de  mercado.  Projetos direcionados  à  atividade  do músico,  que  aliem  um  novo  design  e  funcionalidade,  como  as “Opus  Chairs”,  a  cadeira  Wenger  para  violoncelo,  o  banco  Stokke  para  violão,  têm  se agregado  às  já  conhecidas  banquetas  para  contrabaixo,  piano  e  cadeiras  para  regentes.
Contudo,  permanece  a  tradição  da  padronização  em  conjuntos  como  as  grandes  orquestras, desconsiderando  as  diferenças  antropométricas,  a  carência  de  sistemas  de  regulagens  e  as especificidades mais finas da atividade de cada instrumentista.

O recomendado é que o violinista, sempre que puder, alterne  o  estudo  sentado  com  o  estudo  em  pé,  controlando  a  própria  postura  nas  diferentes situações, para evitar desequilíbrios posturais. 
      Para  tanto, é necessário que ele encontre uma cadeira que  seja, além de confortável, eficiente  em  sua  função,  que  é  manter  o  corpo  do  músico  equilibrado,  proporcionando
liberdade de movimentos e estabilidade, condições essenciais para uma prática saudável.

Paull  e  Harrison  (1997)  discutem  a  manutenção  de  posturas  no  instrumento  e  sua relação com a posição sentada, e afirmam que os joelhos devem permanecer abaixo da altura
dos quadris, a fim de favorecer a lordose lombar. O assento, portanto precisa ser mais alto em
sua parte posterior, como nas almofadas  em  formato de cunha. Tal efeito  também pode  ser
obtido por meio da elevação dos pés posteriores de uma cadeira. O formato da parte da frente do  assento  requer  cuidados  para  evitar  quinas muito  acentuadas,  que  por  sua  característica pressionam a musculatura, além de uma boa divisão do peso do tronco sobre os ísquios se faz fundamental  para  facilitar  o  equilíbrio  da  postura,  bem  como  um  bom   posicionamento  das pernas e proporcionar o apoio dos pés do violinista no chão. 
      A cadeira não deve ser muito baixa, para evitar flexão demasiada nos quadris e joelhos
e a altura  deve  ser  tal  que  as  pernas  formem  um ângulo de mais de 90°  com o  tronco.

Cadeira_thumb

 

 

      Cadeiras  giratórias  ou  com  rodinhas  são  inadequadas,  pois  exigem  do  violinista  um
esforço  constante  para  estabilizar  a  posição,  esforço  este  que  influi  na  ocorrência  de sobrecarga muscular. É aconselhável utilizar cadeiras com encosto, para que o músico possa escansar  nos  intervalos  entre  peças  ou  nas  pausas  dos  ensaios  de  orquestra,  ou mudar  a posição, utilizando  toda  a  área do  assento, proporcionando  assim um  apoio dorsal  à  coluna lombar. 

A cadeira deve  ter altura necessária para que os pés  tenham apoio no chão. Uma vez
que  nem  todos  os músicos  têm  altura  semelhante,  é  aconselhável  que  para  os ensaios  de orquestra, por exemplo, haja dois tipos diferentes de cadeira: um com altura de assento de 47 cm, outro com altura de assento de 51 cm. Um auxílio menos caro são almofadas ortopédicas com inclinação para frente (em formato de cunha, como já citado). 
A estante de partituras é outro item que deve ser adaptado para o violinista, a fim de se evitar  posições  inadequadas  da  coluna.  A  altura  deve  ser  ideal,  garantindo  que  o instrumentista não tenha que alterar sua postura para visualizar a partitura perfeitamente. 

O uso de estante em situação de estudo individual apresenta características diversas da situação camerística, na qual a comunicação com os demais músicos se faz necessária, ou da prática  em  grandes  conjuntos,  onde  é  imprescindível  perceber  o  gestual  do  condutor. O compartilhamento de uma mesma estante por músicos que tenham necessidades visuais muito díspares  pode  acarretar  posturas  desfavoráveis  e  sobrecarga  cognitiva,  a  serem  negociadas entre os pares. A disposição do posto e do espaço de trabalho, aliada a condições ambientais favoráveis, propicia uma sensível diminuição na ocorrência de desconforto. (COSTA, 2005).
      Para o estudo, o  indicado é que a partitura  fique centralizada na altura dos olhos do violinista, que terá ampla perspectiva tanto do topo quanto do final da página. Já em concertos em que são utilizadas partituras, em geral se posiciona a estante num nível mais baixo, dando ao público a possibilidade de ver o rosto e o instrumento do músico. Quando nessa posição de performance, o violinista tem de atentar para não direcionar o instrumento para baixo a fim de olhar  a  partitura;  deve  manter  a  postura  normal  e  ajustar  a  estante  de  modo  que,  apenas baixando os olhos em direção a ela, seja possível visualizá-la.
      Esta  é  uma  questão  que  gera  discussões  em  orquestras,  pois,  além  de  a  estante,  na maior  parte  das  vezes,  ser  um  item  compartilhado  com  outro  músico  ela  é  posicionada centralizada em relação aos dois músicos, sendo que um deles olha à esquerda e a visualiza e outro – o mais prejudicado da dupla – tem de se voltar à direita para visualizá-la. 
       Há uma série de ajustes que podem ser feitos na estante de partituras (como sua altura
e  sua  inclinação,  por  exemplo),  que  variam  de  acordo  com  a  diferença  de  altura  entre  os músicos  que  a  dividem,  se  um  ou  ambos  possuem  algum  problema  de  visão,  sempre observando  o  posicionamento  dos  músicos  dentro  da  orquestra,  posto  que  eles
prioritariamente têm de estar voltados para o regente.

O violino é posicionado no lado esquerdo do corpo do músico, então, o violinista tem de girar o corpo e o instrumento a fim de ler a partitura. Manter desta posição é extremamente desconfortável e traz inúmeros problemas de postura. Para evitá-la é muito simples, bastando aos  dois  músicos  (principalmente  àquele  que  tem  de  visualizar  a  estante  à  sua  direita) direcionar a cadeira para onde a estante está.

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