Violinos Dourados

Esse foi o “Genial” título da revista época para falar sobre a visita de dois grandes violinistas americanos ao Brasil.

Eu não achei assim muito criativo e a entrevista é bem curta, mesmo assim vou postar.

Belos e talentosos, Hilary Hahn e Joshua Bell fazem vibrar seus instrumentos em datas e palcos distintos

HILARY HAHN
ÉPOCA SÃO PAULO » Você ganhou os Grammy de “melhor disco” e “melhor solista com orquevstra” em fevereiro, foi escolhida artista do ano no Gramophone Awards, tocou no aniversário de 80 anos do papa Bento XVI… Ainda restam ambições para Hilary Hahn?

Hilary Hahn » Claro que sim! Mas não tento definir exatamente o que vai me acontecer no futuro. Não temos como saber, pelo menos no plano macro. Tive chances e experiências maravilhosas que aproveitei muito, e ainda espero ter muitas outras pela frente.

Em seu site pessoal, você diz gostar de escrever. Qual foi o último livro que você leu e quem é seu escritor preferido?

Estou lendo The Rest Is Noise, de Alex Ross [O Resto É Ruído: Escutando o Século XX, aqui publicado pela Companhia das Letras], e The Journals of Lewis & Clark [de William Clark e Meriwether Lewis]. Meus autores favoritos são Anne Tyler, Ian McEwan, Carson McCullers, Cormac McCarthy, F. Scott Fitzgerald, Kiran Desai, Charles Dickens… E muitos outros.

Dizem que seu estojo de violino tem Twitter…

Eu não “twitto”, meu estojo de violino é que “twitta”. Eu não tinha ideia do que era o Twitter até um ano atrás, quando um colega tentou me explicar. Acho que meu estojo ouviu a conversa e conheceu o site antes de mim, pois agora ele manda posts assinando “estojo de violino” [twitter.com/violincase, com cerca de 900 seguidores].

Artistas bonitos e charmosos passaram a ocupar os primeiros lugares nas paradas clássicas. Você acha que faria tanto sucesso se fosse feia?

É legal ter fotos bonitas, mas esse nunca foi o meu foco. Beleza pode levar uma pessoa à sala de concertos, mas não a trará de volta se faltar qualidade na interpretação. É a qualidade que leva as pessoas, e continuará levando. E a aparência pode ser melhorada até um ponto, enquanto a qualidade pode ser melhorada infinitamente. Passo muito mais tempo com a música do que em ensaios fotográficos. Estou feliz com minha aparência, mas o que importa é me apresentar de forma honesta ao público. Tento fazer isso sempre.

JOSHUA BELL
ÉPOCA SÃO PAULO » Você foi solista de uma trilha sonora vencedora do Oscar [O Violino Vermelho, filme de François Girard], foi “artista clássico do ano” pela revista Billboard, gravou mais de 30 CDs e tocou para Barack Obama. Ainda há desafios para Joshua Bell?

Joshua Bell » Sim, claro. Sempre há coisas que nunca fizemos. Ainda mais na música clássica, que é tão vasta, com um repertório infinito e muitas parcerias a serem feitas. Além disso, meu instrumento é um dos mais difíceis de tocar, tenho muito a aprender. E novos caminhos a descobrir.

Em 2008, você gravou As Quatro Estações, de Vivaldi, talvez o maior hit clássico de todos os tempos. Dá para ser inovador em uma obra tão insistentemente tocada?

Sim, porque esta é a situação de todas as obras clássicas, que já foram tocadas milhões de vezes. Vivaldi pode ser interpretado de infinitas maneiras e eu tenho a minha própria, que vem da minha história, da minha formação. Mas não tento ser diferente por ser diferente. Isso não seria sincero.

Beleza ajuda a vender discos?
(Risos) Não me acho bonito. Qualquer um pode ficar bem na foto. E isso até ajuda a vender CDs, mas beleza não é nada quando se sobe num palco, não segura a plateia por mais de dez minutos. Mesmo no rock não quer dizer muito. Mick Jagger não é exatamente bonito e mesmo assim leva o público ao delírio. Mas é importante fazer marketing e usar essas ferramentas para atrair gente às salas de concerto.

No programa há peças de compositores de estilos distintos. O que o levou a selecioná-las?

Sinto-me como um chef que precisa escolher pratos que funcionem bem juntos, num jantar. Por isso Brahms, que é profundo e introspectivo; Franck, romântico e expressivo; Ysaÿe, um violinista virtuoso que foi professor do meu professor. Com a orquestra, toco a peça de Bruch, que é bem popular e romântica e que eu adoro.

Hilary Hahn tocará em São Paulo poucos dias antes de você. Gosta do trabalho dela?
Ah, ela vai tocar? Gosto sim, mas não me pergunte isso, por favor.

Fim…

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